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Reportagem I O avanço da qualidade de nossos vinhos ofusca o Velho Mundo
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O Novo Mundo do Vinho vem crescendo e conquistando seu espaço no mercado mundial pela qualidade de seus produtos. Do ponto de vista da História e da Geografia, o Novo Mundo designa os países descobertos pelos colonizadores europeus a partir do século XV. Os vinhos produzidos nos Estados Unidos (Califórnia), Chile, Argentina, Uruguai, Brasil, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e Uruguai pertencem a esse novo grupo que apresenta características e conceitos novos ao mercado consumidor. Estes países, emergentes, na área vitivinícola mundial têm preocupado os produtores das regiões vinícolas mais tradicionais do planeta, principalmente aquelas situadas no Velho Mundo, como França, Itália, Espanha e Portugal. A geografia mundial do vinho apresenta duas áreas do planeta com vocação para produzir vinhos – o acima do paralelo 30, no Hemisfério Norte, e abaixo do paralelo 30, no Hemisfério Sul -No paralelo norte estão os países do Velho Mundo e no hemisfério sul o Novo Mundo do vinho.A grosso modo, o que distingue os vinhos do Novo Mundo em relação aos do Velho Mundo é que os países emergentes são menos tolhidos pelas tradições e pelas rígidas legislações da maioria das regiões produtoras dos países europeus . Esta região apresenta um vinho deliciosamente frutado, elaborados para ser bebida mais jovem, geralmente com uma boa relação qualidade-preço. Estas são algumas das características dos vinhos que vem conquistando o paladar do homem moderno. Já os países tradicionais apresentam vinhos robustos, de guarda que devem ser bebidos após um período de envelhecimento. O Novo Mundo do vinho vem crescendo no mercado, no conceito e na qualidade e isto têm incomodado vinicultura tradicional do Velho Mundo. As diferenças climáticas e de solo requerem formas e métodos diferentes no plantio, conservação e produção da uva, com isso, algumas variedades se adaptam melhor a esta ou aquela região, mas todas com condições de desenvolver vinhos de qualidade. O que faz um bom vinho não são as etiquetas e sim a qualidade. Foi o Velho Mundo que editou normas, conceitos e etiquetas que mais servem para distanciar o consumidor do vinho do que aproximá-lo. As lendas, mitos, histórias e fantasias deram ao vinho um diferencial de nobreza, muito bem temperado pelos europeus que se auto-intitulam os donos da verdade e os únicos a produzirem vinhos com qualidade. Porém, esquecem que" as perfumarias",e a etiqueta pode ser necessária, mas ela não é responsável pela qualidade do vinho. Como os países emergentes estão mudando certos conceitos elaborando vinhos ao paladar do consumidor , enquanto isso o Velho Mundo se encarrega divulgar normas que buscam salvaguardar seus interesses ofuscando, desta forma, a verdadeira revolução que os emergentes vem fazendo. Até países do Velho Mundo estão adotando normas dos emergentes e deram um salto de qualidade nos últimos anos. O Alentejo, em Portugal; Catalunha, na Espanha, em que se destacam o Penedés e o Priorato; Languedoc-Roussillon, na França; e a Puglia, na Itália são exemplos disso. O azedume dos Grandes· O polêmico documentário "Mondovino", de Jonathan Nossiter, exibido no Festival de Cannes, mostra um pouco da guerra dos grandes e tradicionais com os pequenos emergentes. Os novos de um lado que valorizam as novas tendências do mercado e do consumidor moderno e, do outro, as grandes corporações, que só pensam em marketing e fazem de tudo para manter os velhos conceitos e por uma boa colocação no mercado. O filme é tão real que chegam a mencionar o Brasil como país produtor de Vinho. Isto é um reconhecimento agradável, mas ao mesmo tempo preocupante. O Velho Mundo não engole o crescimento da vitivinicultura do Chile, Argentina, Uruguai, Brasil, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e Uruguai que estão mudando a geografia do vinho, azedando o trono dos grandes e tradicionais. O Desconforto do desconhecimento. Normalmente, os livros sobre vinhos dedicam a maior parte de suas páginas para descrever as regiões vinícolas mais tradicionais do planeta, principalmente aquelas situadas no Velho Mundo, como França, Itália, Espanha e Portugal e, para quem lê, estuda e pesquisa concebe como únicas as afirmações feitas e conceitos descritos. A não-citação das novas regiões levam os pesquisadores e enófilos ao erro .Desconhecendo as novas regiões, com seus novos conceitos e características gera no mínimo um desconforto para para quem fala, lê ou escreve sobre regiões vinícolas. A matéria veiculada na Revista Veja, edição 1893. De 23 de fevereiro de 2005, é uma prova disso. A reportagem induz o leitor que o problema da nossa região não é técnico e sim geográfico, numa demonstração eloqüente de que aqui não se tem condições de produzir bons vinhos. Dando de entender que só se produz bons vinhos no Velho Mundo o que é no mínimo um equívoco. A vitivinicultura brasileira, como dos demais países emergentes tem investido pesado em modernização e tecnologia para garantir qualidade e competitividade internacional. Estes investimentos estão dando resultados extraordinários que é a conquista do mercado, muito embora não seja do agrado do Velho Mundo. A exportação de nossos vinhos, que já está acontecendo, além gerar divisas, deverá aumentar o ânimo dos nossos empresários que andam preocupados com os números. Hoje, além do consumo de vinho, por parte dos brasileiros ter diminuído, cresceu o aumento dos importados. Para se ter uma idéia no início dos anos 90, com o país fechado às importações, apenas 10% dos vinhos finos consumidos no Brasil vinham de outros países.No no ano passado o Brasil consumiu 67% de vinhos importados contra 33% de Nacionais, no segmento de Vinhos Finos. os importados respondem por 67% do consumo.E, não podemos esquecer que a Serra Gaúcha é responsável por 90% da produção de vinhos finos no Brasil.
Os "donos" do mundo Os Franceses, em especial, sempre se julgaram os "soberanos" do universo, e que todo o mundo teria obrigação de estudar e aprender tudo sobre seus vinhos. Não é assim. O consumidor, como sempre, é o rei do universo, e isso os americanos ensinaram aos Franceses.O novo mundo desnudou o "custo" dos vinhos, e fez ver que somente charme e perfumaria hoje não têm mais vez. A questão "preço-qualidade", ou "custo-benefício" pegou de surpresa o Velho Mundo. Só para se ter uma idéia a região de Bordeaux, França, que produz os famosíssimos "Chateaus" está em queda contínua. No ano passado suas vendas caíram 22,3%. Em outras regiões, como a Borgonha, o Lânguido, Alsácia, Loire, estão em declínio. A grande verdade é que a qualidade dos vinhos do Novo Mundo estão "azedando" os dados estatísticos e as planilhas de venda de seus vinhos. Não é só a França, Itália, Espanha, Portugal que produzem bons vinhos existe outros países, inclusive o Brasil. O que nos falta, talvez, e o Velho Mundo tenha demais é coragem e ousadia. Se não podemos imitar os californianos pelos menos não nos resignemos com críticas alicerçadas no desconhecimento de causa..
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