PP
do livro Pés descalços
Poemas !
Que são meus, que são teus, que são nossos.
Bem, afinal, são só poemas, detalhes somente...
                 
 

Nenhum poema possui título,  somente possuem símbolo  de identificação.

 

             

 

 

  n |27

   

d | 19

   

  v | 21

 
 
Não sou eu quem fala,
Não sou eu quem diz,
mesmo assim,
embora o partido
contento-me com o que levo comigo.
Um lápis sem ponta,
um poema inacabado,
e o silêncio de teu retrato
partido
 

 m | 29

Moldei meus gestos,
transformei-me em palvras,
divorceie-me do real
e, vagamente,deixei que a
verdade me denunciasse.
( Não porcurei alento no que dizia
e nem me preocupei
com o tempo
que rapidamente me diluia)
Num mundo que não é segredo
e nem fantasia
me defini, na sombra de minha letra
e na sórdida solidão
dos meus escritos
  b | 45
Bem de mansinho chegaste,
rasgaste o pano velho, sofrido,
que escondia o horizonte.
Depois como uma pluma
levemente pousaste
sobre um amontoado de sonhos
amarelados
Entre lágrimas, risos,
não ficaste para o acaso.
( Só desiludida, pela mesma janela
partiste deixando apenas o perfume
entre os retalhos da velha cortina )
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
   

 

Despojei-me de ilusões,
para encontrar,
no orvalho do presente,
fragmentos do tempo.
Místico tempo
que se confunde com
a sombra do silêncio.
Despojei-me
do pensamento mofo,
dos que não vêem
poesia em pés descalços.
Erqui-me
perante mãos que se tocam;
a gestos que  mostram
caminhos;
a lágrimas que não se intimidam;
a vozes que não calam.
Despojei-me do todo
para nascer de novo.
 

n | 25

Não sou sozinho,
povôo o silêncio
habito nas entrelinhas
da noite.
Acomodo meus temas,
lemas e poemas  nas
palavras não ditas.
Escritas no pranto
e no canto do Ser
 
 

r | 37

 
  Rasguei minhas  
  vestes ao transpor  
  o diálogo do tempo.  
  Cessei as buscas,  
  bebi a espera  
  e, no eco do que  me rodeava  
  encontrei em mim  
  o que precisava  
     
 q | 41

 

Quisera te pertencer
como te pertence:
a água, a terra, o ar e tudo o que faz
de ti um ser vivo.
Quisera ser o  solo batido,
a rua por onde passas.
Aquele instante onde te procuras
e desabafas.
Quisera ser teus momentos,
teus encantos
teus tormentos para multiplicar em motivos,
para fazer de ti um simples paraíso
Quisera apossar-me de tí,
Tê-la em mim, mesmo que fosse
para diminuir a vida,
(acelerara a morte)
e me arrebentar surdo e mudo
no jardim das graças alcançadas.
Quisera... embora o querer,
sou a sombra da espera,
a verdade de ser o que não procuras
 

 

 

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    Vou só com a noite
calado de pés descalços
procurando sombras
Descobrindo...
Desisto de ser
Para choras baixinho,
lembranças de alguém
que me ensinou um caminho
e, em meio a tespestade,
me deixou sozinho...
 

c | 35

Chega !
não importa como,
faça de mim
o que te basta,
o que te completa,
o que te satisfaz.
Esquece o que existe.
O que sofreste
o que sentiste,
para que também possa sentir.
Chega !
Faça de mim um embrulho qualquer,
mas tenha-me rente ao ventre
para que eu possa ouvir
o responsável do meu partir.
Vem !
reparte comigo este tempo.
Faça de mim,
o que te basta,
o que te completa,
o que te satisfaz,
para que eu possa mar
(nem que seja )
Minha própria desgraça
 
 l | 59
Lá vou eu, numa sombra apenas.
Sinto teus passos,
teu respirar profundo
com a noite me confundo.
Assim vou eu,
com pés descalços,
cheio de retalhos.
Ombros caídos,
braços cansados,
semi - adormecidos .
Assim vou eu.
Uma sombra apenas,
traços jogados ao vento
a engolir o tormento dos sonhos que fiz.