O enoturismo no Brasil teve início com a Festa Nacional da Uva, na cidade de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, em 1931. Com uma produção de quase 42 mil toneladas de uva, o município era responsável por quase um terço de toda a produção gaúcha da fruta. Naquele ano, os produtores locais haviam exportado 21,1 milhões de litros de vinho tinto. E a cidade crescia. A Festa da Uva era a celebração deste sucesso. No ano seguinte, a festa passou a ser uma tradição e seguiu até 1934. Em 1935, com a alegação de problemas econômicos, a festa não foi realizada. Depois de dois anos, as comemorações retornaram. Com a Segunda Guerra Mundial, a cidade, que abrigava muitos italianos, interrompeu a festa por treze anos. Só em 1950 a Festa da Uva voltou a acontecer em Caxias do Sul.
Atraindo a
atenção de turistas para a cidade, a
festa começou a despertar o
interesse
Das pessoas para conhecer as
vinícolas e todo o processo de
produção do vinho. Deste então,
visitas a cantinas em cidades como
Bento Gonçalves, por exemplo,
passaram a acontecer. Tanto que em
1967 passou a acontecer a Festa
Nacional do Vinho na cidade. As duas
festas se tornaram os maiores
eventos relacionados à bebida no
Brasil.

Jovino Nolasco, diretor da
Enoturismo Brasil
(Foto: Divulgação)
Segundo Jovino Nolasco, diretor da Enoturismo Brasil, empresa que faz roteiros para as produtoras de vinho, o turismo de vinho foi crescendo e dando certo a ponto de, atualmente, existirem vinícolas que vivem exclusivamente do enoturismo, ou que nasceram dele. “Havia agricultores que vendiam uvas para as grades empresas de vinho e lá pelas tantas resolveram fazer os seus próprios vinhos. Isso em função dos visitantes que iam acompanhar o processo de agricultura da uva”, explica. Para Jovino, a história do enoturismo no Brasil foi sendo criada a partir da visão dos empresários e da tradição gaúcha, e não influenciados pela tradição européia, como é de costume se pensar. “Não existiu nenhum projeto para criar o enoturismo no país. O enoturismo brasileiro é fruto da história e da visão dos empresários. É o amor dos agricultores pelo que fazem, pelo que produzem. Essa cultura do vinho, considerada a bebida dos deuses, o elixir da vida, cuja matéria-prima é a uva, considerada a rainha das frutas, a seiva da vida, encanta e seduz os turistas”, conta Jovino.
Paradoxalmente, no Vale do São Francisco, os estados nordestinos de Pernambuco e Bahia, unidos pelo Rio São Francisco, pelas cidades de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), se juntaram em função do enoturismo. A região, que tem diversas vinícolas, se utiliza da tecnologia para receber os turistas com um diferencial: quem visita o Vale do São Francisco pode, de uma só vez, acompanhar todos os processos de produção do vinho. Enquanto no Sul do Brasil é preciso visitar as etapas de cultura da uva nas quatro estações do ano, no Nordeste é possível ver o lote de videiras ainda pequenas, depois a poda da uva, a colheita e, por fim, a produção do vinho em uma só visita. É que com os recursos tecnológicos, todas as etapas de produção da uva podem ser feitas em uma mesma estação. No Nordeste, o enoturismo movimenta a economia chegando a receber entre duas e três mil pessoas por mês no Vale do São Francisco. Segundo Jovino, cada turista deixa, em dinheiro, uma média de R$ 70 por visita.
Hoje, o
enoturismo está em diversos estados
brasileiros. Em Santa Catarina,
Paraná, Piauí,
Rio Grande do Sul, São Paulo, Bahia,
Pernambuco, Ceará e Minas Gerais há
diferentes roteiros. Segundo Jovino
Nolasco, o crescimento do enoturismo
no Brasil se dá por oferecer uma
opção que foge ao turismo comum
brasileiro de visitar o litoral.
“Além de ser uma alternativa, o
vinho em si está rodeado de mitos,
contos e lendas desde a época da
pré-história, que encantam os
turistas. Há uma mistura de cultura,
história e tradição que atrai muita
gente”, conta.
Enoturismo Brasil
FONTE I
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Globo > globo universidade -
Enoturismo cresce a cada ano e
...
O
enoturismo, turismo que leva
pessoas a conhecer a produção de
vinhos, existe há 70 anos no Brasil.
Desde seu início, no Sul do país,
encanta pessoas que ...
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