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O corpo e a alma do vinho
Os cerca de 8.000 polifenóis existentes na natureza não têm
nenhum valor nutritivo. Eles só existem no reino vegetal onde exercem a
nobre e valorosa função de defesa das plantas. São eles que defendem
as plantas dos ataques físicos como o calor, o frio e a radiação
ultravioleta do sol. Eles também protegem os vegetais dos ataques biológicos
(das bactérias, vírus e fungos) sendo a defesa natural das plantas
contra essas pragas. A natureza (ou o Criador, se preferirem), só
confiaria missão tão importante a alguém especial e que tivesse
grandes poderes e virtudes. Os polifenóis por terem um poderoso efeito
antioxidante e uma
marcada ação antibiótica – armas fundamentais para a defesa – são os
principais responsáveis pela sublime missão de autoproteção das
plantas.
Essas ações são de grande interesse para o homem, tanto na indústria
como na Medicina. Na indústria como conservantes. Tudo que se quer de
um grande conservante é que ele seja um potente antibiótico e
antioxidante. Na Medicina, além da proteção contra as infecções
pela ação antibiótica, os polifenóis eliminam, neutralizam, uma
grande quantidade de Radicais Livres que são responsáveis por um sem número
de condições clínicas, como a aterosclerose, o envelhecimento, os cânceres,
a catarata, os reumatismos e tantas outras.
Para exercer função tão virtuosa nas plantas, os polifenóis
se localizam quase que exclusivamente nas folhas, cascas e sementes
(para proteger a espécie!). Nós, para usufruirmos o seu potente efeito
antibiótico e antioxidante, temos que ingeri-los. Mas, normalmente, não
comemos cascas e sementes. Comemos folhas, muitas vezes cozidas, o que
inativa uma série deles. O vinho é o único alimento que tem essas
substâncias em quantidades apreciáveis (até Os polifenóis,
essa dádiva da natureza presente na uva e no vinho e de grande
interesse para a saúde, estão em diferentes quantidades principalmente
nas sementes, na casca e no engaço. Algumas cepas também os têm em
quantidade apreciável na polpa. E a presença deles nos vinhos depende
da cepa, da região, do clima, da vinificação (principalmente do tempo
de maceração e do controle de temperatura) e da guarda. Nos vinhos
brancos geralmente eles estão presentes na quantidade de alguns
miligramas até Os
polifenóis no vinho vivem em grande harmonia com o álcool e ambos se
beneficiam muito deste feliz convívio. Essa convivência é muito
impressionante e até comovente! Alguns benefícios dos polifenóis só
ocorrem com o vinho e alguns malefícios do álcool não ocorrem
na presença dos polifenóis. Se retirássemos todos os polifenóis do
vinho obteríamos um líquido incolor com o mesmo teor alcoólico, mas
sem aroma e insípido. E se colocássemos os polifenóis presentes numa
porção de vinho numa mesma quantidade de água, sem o álcool, ela
seria intragável! É
devido aos polifenóis que o vinho é uma bebida e um alimento peculiar
e verdadeiramente dos deuses, capaz de proporcionar muitos prazeres,
sempre renovados e benefícios para a saúde. Eles são o corpo e a alma
do vinho.
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