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“Das
batatinhas a uva, do vinho ao chá, das dificuldades ao ânimo,
dos fracassos à luta: Mamoru Yamamoto, um exemplo de
superação..."
I
O Caçador de sonhos
Mamoru
Yamamoto, um dos pioneiros na elaboração de vinhos no
vale do São Francisco, vive só e anda lento, apesar da
saúde de ferro que possui. Mamoru nos recebeu em sua
pequena propriedade, instalada dentro da Fazenda Ouro
Verde, território onde depositou todos os seus sonhos e
onde agora se resigna a contemplar a realização, pela
Miolo Wine Group, de tudo o que planejava. Com um sorriso
contagiante, muito embora os desafios e tropeços que a
vida lhe reservou, transmite calma e serenidade
impressionantes. De um grande produtor de batatinhas em
Santana do Itararé, Paraná, onde fez fortuna,
transferiu-se para o Sertão nordestino em busca de
novos desafios.
I
Volta ao mundo
Em
1963, Mamoru decidiu fazer uma volta ao mundo: começou
pelos Estados Unidos, onde foi ver de perto a Califórnia
e, de escala em escala, foi até o Japão e de lá para
Israel. Nesse país é que encontrou solo e clima
semelhantes ao do sertão nordestino. Em seus permanentes
estudos, voltou ao Brasil e se aconselhou com o paulistano
Santos Netos, o que lhe deu excelentes referências do
Vale do São Francisco. Posteriormente esteve na Serra gaúcha,
em Bento Gonçalves, onde fez vários contatos com o Colégio
de Enologia, hoje Escola Agrotécnica Federal.
Entusiasmado
e com uma fé profunda, não perdeu tempo: no Vale, foi
para o município de Santa Maria da Boa Vista e lá
conheceu o Sr. Molina, um Espanhol que já produzia uva de
mesa e se aliou aos sonhos de Franco Pérciso, outro
idealista e visionário da Fazenda Milano. “Tínhamos
terra vermelha e bastante arenosa, e água, assim como as
terras que vi em Israel”, diz Mamoru, olhando firmemente
para o horizonte.
Ele
contratou o professor gaúcho Idalêncio Anghebem, que
indicou seu aluno Ivair Toniolo para a missão. Iniciou aí
uma longa caminhada na realização de um sonho audacioso:
produzir vinhos de qualidade em meio ao sertão seco e
coberto pela caatinga. A tecnologia da irrigação, a
persistência e a determinação abriram novos rumos ao
japonês que queria produzir vinhos. Na busca de terras
melhores, Mamoru Yamamoto entrou Sertão à dentro e foi
parar em Santana do Sobrado, vilarejo pertencente ao Município
de Casa Nova, na Bahia. Lá gravou no solo um marco, como
querendo fazer pacto com Deus e com a natureza. Nascia, em
1980, a Fazenda Ouro Verde, hoje de propriedade da Miolo
Wine Group tendo como parceiros as Vinícolas Miolo/Lovara
e Osborne.
I
Os sonhos não terminaram
Mamoru
Yamamoto, olhando para o verde dos parreirais e para o
majestoso prédio da vinícola, conta que o brasileiro
aprendeu fazer vinho e não aprendeu ainda a vender – e
ele não poderia ser diferente. O japonês
deixa a entender que seu negócio não obteve o êxito
que esperava. “Fico feliz que a Miolo Wine Group esteja
dando seguimento ao meu sonho”, completa. Hoje, passada
a tempestade dos negócios, trabalha normalmente na
lavoura e cuida pessoalmente de sua nova atividade: produção
de Chá Natural, Amora Miúra.
O
chá da folha da amora miúra, segundo Mamoru, é
excelente no controle da diabete. Na sua produção, não
são utilizados inseticidas, fungicidas ou herbicidas. O
chá possui 22 vezes mais cálcio que o leite, além de
conter mais potássio, magnésio, ferro natural, proteína,
fibra, zinco e levedura, conforme ele. O que impressiona são
as fotos de Mamoru: quando mais jovem, era careca; depois
do chá, os cabelos voltaram normalmente. Isso tudo, diz
ele, aconteceu depois que começou a tomar regularmente o
Chá. “Faz parte do meu projeto de vida: estou me
preparando para viver 120 anos”, garante.
Chá
de Amora Miura |